Nem
sempre nós damos a atenção que deveríamos para o nosso próprio corpo. Hoje, é
muito comum ver a indústria social exigir padrões de cuidados como ser magra,
fazer depilação, utilizar cremes, máscaras e muitos outros produtos de estética
que prometem “o corpo perfeito”.
Mas
será que essa perfeição externa é realmente o que importa? De maneira breve:
Não. Primeiro que o saudável nem sempre é o magro e segundo que produtos para
pele jamais vão mexer no que realmente importa: a sua estrutura.
Talvez,
a princípio, esta palavra se pareça um pouco vaga, mas pense bem, nós, Seres
Humanos passamos cerca de 8 horas por dia dormindo, o restante do dia estamos
sendo sustentados por nossas estruturas internas. Tudo parece meio obvio quando
falamos, porém, quantas pessoas você conhece que se preocupam em digitar
corretamente, seja no celular ou no computador? Ou que se preocupam em qual a
melhor postura para se parar, em filas, nos ambientes de trabalho, em rodas de
conversa e etc.
Sendo
assim, acho que vale aqui uma reflexão estrutural do nosso corpo, afinal, não
faríamos absolutamente nada sem nossos ossos articulados e nossos músculos
interligados. Eles são a verdadeira base de nossas vidas, o que nos coloca em
movimento, e são eles que realmente executam tarefas. Então porque,
normalmente, nós nos preocupamos tão pouco com nossas estrutura?
A
correria e a falta de tempo da vida moderna, com certeza tem uma boa parcela de
culpa nesse resultado, afinal, com tantos boletos não é todo mundo que pode pagar
uma aula ou um profissional para colocar o corpo na rotina. E é nesse momento
que temos que puxar nossas orelhas e parar de arranjar desculpas para a
preguiça que temos de simplesmente PRESTAR ATENÇÃO.
Nossos
corpos já vieram ao mundo estruturados e equilibrados, são os maus hábitos e a
rotina que o tiraram do lugar, e da mesma maneira que apenas as repetições de
péssimas posturas desencaixaram e adoeceram as nossas estruturas, apenas a
repetição de excelentes posturas vão reeducar essas mesmas estruturas. E nenhum
trabalho corporal acontece do dia para a noite. Então vamos por partes.
Existem
diversas técnicas de trabalho e encaixe corpóreo, e dentre esse universo pude
entrar em contato com as Ternas. Uma metodologia simples e prática que revolucionou
o meu dia a dia. Aprendi por meio da professora, e Pesquisadora original das
Ternas, Renata Meire dentro da disciplina de Corpo Voz I do curso de Teatro da
Universidade Federal de Uberlândia oito subdivisões de trabalho das Ternas.
Em
contato com essas técnicas pude perceber que aos poucos nossos ligamentos se
alongam, nossa estrutura se encaixa e consequentemente nossa rotina melhora,
afinal temos mais disposição e nosso corpo se mantém ativo e pronto para
qualquer situação.
A
primeira Terna que gostaria de abordar é a Terna de Braços, que possibilita uma
percepção mais ampla de como funciona nosso corpo e nossos músculos. A maior
parte das pessoas possui uma noção errada de o que, ou onde, é seu próprio
braço. Apesar de ser uma afirmação ligeiramente absurda, as Ternas conseguem
nos mostrar por meio de exercícios de deslocamento e alongamento que todos os
movimentos braçais influenciam diretamente no movimento que as escapulas, ossos
que ficam nas costas, realizam e vice versa. E percebendo essa reverberação corporal
é que podemos acordar aos poucos para a percepção de que tudo, inclusive nós,
funciona como um grande sistema de engrenagens, e nada funciona sozinho,
portanto se aquela dorzinha na coluna está lhe incomodando, nem sempre a culpa
é realmente da coluna, e muito provavelmente um alongamento e uma consciência
braçal será de grande ajuda.
A
segunda Terna foi a de Alinhamento. Arrisco dizer que se alinhar e se expandir
é a forma mais fácil e barata de se embelezar, sem maquiagens ou produtos
milagrosos. Um corpo ereto e encaixado demonstra autoconfiança, força e
jovialidade. Esta Terna é a mais fácil de se observar no dia a dia, afinal,
todo mundo para em filas e sinais, muitas vezes trabalhamos em pé ou sentados,
e são nesses momentos que devemos encaixar os quadris e puxar o topo de nossas
cabeças para o céu, deixando os ísquios para o chão. E foi principalmente esta
Terna que mudou a forma como me relaciono com meu corpo. Além de prestar
atenção em como meu joelho reverberava esta postura e quase gritam para serem
corrigidos com um arco de pé ou uma leve dobradinha, ainda ganhei um corpo mais
enérgico e pronto para tudo, o que trás luz e beleza.
Ainda
tenho muita dificuldade em corrigir minha postura, porém, presto muito mais
atenção enquanto estou no trabalho e nas demais atividades do meu dia. Além
disso, praticamos em aula exercícios com bolinhas sendo posicionadas em
diferentes pontos das costas e dos quadris
para melhorar a postura, realizar estas práticas em casa tem ajudado a corrigir
minha estrutura e sumir com muitas dores que já tinha me acostumado a sentir.
A
terceira Terna que realizamos foi a de Apoios e Projeções, ela me mostrou o
tamanho e a versatilidade de nossa Kinesfera. No dia a dia, não é comum
utilizarmos nossos corpos de maneira expansiva, o que deixa as estruturas
enrijecidas e com travamentos, a rotina diária robotiza nossos corpos e a Terna
de Apoios e Projeções nos reeduca a sermos expansivos e fluidos em todos os
movimentos. Fizemos muitos exercícios de mudança de planos em apoios
diferentes, criando assim imagens e movimentos pelo espaço, no inicio é algo
desconfortável, mas ao longo do processo, encontram-se vícios de movimentos,
novas imagens, novos ângulos e até uma coreografia corporal que naturalmente se
cria.
A
quarta Terna foi a de Enraizamento, neste ponto é que as ternas nos mostram o
quão somos parte do Um que representa a Natureza. Enraizar-se no chão, abrindo
os ossos dos pés e sentindo o peso, o equilíbrio e o desequilíbrio corporal é
uma experiência única de percepção e construção estrutural, os exercícios
deixam claro a importância da base corporal para o encaixe das demais ternas,
afinal, como uma máquina, uma peça não funciona sem a outra, e o trabalho de
Ternas gradativamente acorda e equilibra o corpo. Assim como quando finalizamos
os trabalhos com Ternas, tudo se encaixou como um, nos mostrando o que
realmente é o processo de Ternas. Entretanto, ainda vamos passar por alguns
processos até chegar nesse ponto.
A
quinta Terna que exploramos foi a Terna de Rosto. Começamos realizando
massagens faciais que aos poucos iam acordando nossos músculos de expressão e
criando máscaras. E neste momento eu descobri que normalmente não acesso metade
da expressividade facial que achei que tinha. E observar os contornos e
detalhes da expressão dos nossos colegas também se tornou um hábito
interessante e que tem me ensinado muito como atriz. O uso dos músculos faciais
de expressão melhoram nossa comunicação e nossa dicção, o que traz clareza e
nos torna comunicativos, algo que é essencial nos dias de hoje.
A
sexta Terna me deixou intrigada. A Terna de Pele me ajudou a expandir as
sensações, e identificar processos de construção artística que podem ser
realizados a partir de sentimentos estimulados por diferentes tipos de toques. Foi
por isso muito interessante para os processos de construção de personagens e
cenas que estamos aprendendo a desenvolver no decorrer do curso.
A
sétima Terna foi a de Sonoridades. Esta terna foi importante para o trabalho em
grupo, enquanto cada um emitia uma sonoridade em sala, uma grande sinfonia se
formava, auxiliou muito na consciência do corpo, espaço e conexão com a turma. A
última Terna que trabalhamos foi a de Vísceras. Nesta terna pude entender o
posicionamento dos órgãos e acorda-los, dando mais consciência ao meu corpo e entendendo
a interdependência que nossas estruturas possuem.
E
assim como nosso corpo, às Ternas se completam e se tornam um. Cada exercício utiliza
um foco de atenção mas para se despertar todo o nosso corpo devemos sempre
prestar atenção e utilizar as ternas de forma combinada, a fim de explorar
nossa máxima consciência corporal.
Utilizando
essas técnicas para dar a devida atenção às estruturas corporais em nosso dia a
dia, ganhamos uma capacidade expressiva muito maior, e como já dizia o ditado
popular “ Uma ação fala mais que mil palavras”, o quanto dirá então uma ação
expressiva, expansiva e alinhada feita por um corpo consciente e confiante.
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