Quando começamos o
semestre, acreditava que Ternas seria algo cansativo, algo que eu não gostaria
de fazer... Com o passar do tempo, pude redescobrir e mudar o pré-conceito que
eu tinha em relação as Ternas. Hoje, vejo as Ternas como um método de preparação
para um corpo que expressa, um corpo com significados e que gere leituras. Pude
aprender a cada dia nas aulas de Ternas que o meu corpo não era simplesmente um
corpo, ele podia ter uma expressividade e conforme o tempo foi passando pude
redescobrir as minhas capacidades corporais e como eu podia alcançar coisas que
nem eu mesmo sabia. Mas, o que são as Ternas de fato?
As
Ternas se inserem no campo de conhecimento de trabalho de ator, na vertente que
valoriza e desenvolve a percepção corporal como princípio central do
treinamento. Embasadas na fenomenologia, as Ternas atuam na via de mão dupla
que interliga a percepção do corpo do atuante com a expressão do movimento.
(MEIRA, Renata, TERNAS: procedimentos pedagógicos corporais para as artes numa perspectiva crítica, 2018, p.3)
(MEIRA, Renata, TERNAS: procedimentos pedagógicos corporais para as artes numa perspectiva crítica, 2018, p.3)
Como eu havia dito
mais a cima, as Ternas são métodos que mostram a um ator que nem sempre o corpo
que ele deve ter durante uma apresentação é o próprio, e sim, precisa
redescobrir um novo corpo para determinados personagens, pois a minha expressão
é diferente da expressão de um personagem malvado, mas então estamos falando de
expressão corporal ou facial? Estamos falando de tudo, mas nesse momento abordo
as Ternas de Rosto para dizer o quão incrível é. Durante todo o nosso processo
de criação desde a nossa infância, crescemos aprendendo a fazer caras feias,
mas não sabia que essas caras feias eram formas de relaxamento muscular para
que pudéssemos aperfeiçoar para a criação de um personagem, como em um caso de
Mimesis Corpórea, as Ternas de Rosto se tornam essencial em uma mimesis. O que
são as Ternas de Rosto? Todos nós temos os nossos traços que já estão conosco
desde o momento em que nascemos, seja essas linhas da expressividade alegre ou
triste, não muda, mas todos temos! Pudemos compreender que o nosso rosto é além
do que esperávamos, não é apenas um rosto comum, mas as nossas caras e bocas
são expressões que o nosso rosto já é habituado a fazer, mas podemos
“ensina-lo” a fazer outras expressões de forma que o seu rosto ganhe um sentido
completamente diferente do que as pessoas estão habituadas a ver, podendo ir de
um velho ranzinzo até uma criança chorona.
Quando chegamos
nas Ternas de Apoios e Projeções, começamos com um trabalho para compreender e
sentir nosso corpo. Usávamos bolinhas em que colocávamos em determinadas partes
do corpo e após algum tempo era pedido para que retirássemos as bolinhas para
assim analisarmos o nosso corpo, claro que doía enquanto estávamos com a
bolinha, não uma dor, mas sim um incomodo e tudo aquilo que gera incomodo, nós
chamamos de dor, após a retirada da bolinha, colocávamos as costas no chão e
sentíamos um relaxamento e um alívio gigante. Passamos a buscar formas em que
nos apoiássemos no chão e nos projetássemos naquele determinado espaço, em um
momento tivemos que andar pela sala em que nos apoiávamos tanto nas mãos quanto
nos pés e nos projetávamos a tentar ir mais longe, já em outro momento,
tínhamos que nos mover como em uma gangorra para que conseguíssemos fazer uma
cambalhota em que a nossa projeção nos levaria até o movimento e que, para mim,
foi incrível. Mas uma das principais funções que se deve ter nas Ternas de
Apoios e Projeções é o nosso Alinhamento, que irei descrever melhor agora.
A Terna de
Alinhamento, nada mais é do que buscar o nosso alinhamento no corpo, é como
deixar todo o corpo no “lugar correto”, ter noção da crista ilíaca, deixar
alinhada junto a cabeça. Nesse momento da aula, a professora Renata Meira, nos
mostrou formas de continuarmos alinhado e buscar uma relação do nosso corpo,
como a de tentar aproximar o ombro até a crista ilíacas, foi um dos exercícios
que mais achei difícil durante todo o semestre, pois eu tive um grande problema
pra conseguir alcançar esse objetivo.
Mas a Terna de Alinhamento nos cria noção de como o nosso corpo precisa ficar
alinhado. Depois pudemos andar através do espaço em que íamos em direção a um
lugar e a crista se virava a outro e a cabeça deveria ser a última a chegar e
por assim em diante (por sinal, pude utilizar desse método para a minha
apresentação que se encontra na minha primeira publicação sobre as Ternas).
Nas Ternas de
Sonoridade, entendemos que o nosso corpo são fontes de sons que nem imaginamos,
como por exemplo, uma chuva forte! Já imaginou isso, poder fazer uma chuva com
o seu corpo? Claro, precisa-se de mais de uma pessoa para que fique um efeito
legal, mas sim, é possível fazer com que o nosso corpo ganhe voz. Em um dos
momentos, cheguei à conclusão de como é importante a noção dos sons que podemos
reproduzir, como por exemplo, as nossas vozes. Em um momento da nossa aula, o
Túlio escreveu uma frase na lousa e cada um podia dar uma entonação diferente
para as frases, pude lembrar das aulas de TTTC (Transformações das Tradições
Teatrais Clássicas) em que o professor Luiz Humberto, mencionou a importância
da nossa entonação, e de fato, a nossa entonação faz toda a diferença para uma
frase, para uma interpretação, para o público. Por isso, uma das Ternas que chamou
minha atenção foram as Ternas de Sonoridade, que me deram uma outra noção de
como podemos reproduzir sons e da importância de se entender a tonalidade do
que falamos.
A Terna de Pele é
uma das Ternas que desde o início do semestre, trabalhamos, pois a nossa pele
está presente em todo o nosso corpo, é o maior órgão que temos conosco. Por
isso, digo de imediato, que ao chegar no assunto Terna de Pele, já estávamos
bem mais que aquecidos com elas. Primeiro, passamos por um processo de
sensibilização da nossa pele, através do nosso toque. É simples pensar, que
desde sempre, por mais que existisse um aquecimento na pele, por mexermos todo
o nosso corpo, ela também precisava dessa sensibilização para que tivéssemos a
percepção da nossa pele! Não gerou nenhum incomodo para mim, foi até que
divertido!
Na penúltima Terna
que irei abordar, falarei de toda a minha experiência em relação a entender e
tentar conseguir movimentar o braço, sem a mão, o braço sem a escápula, tivemos
toda essa relação para aprender com as Terna de Braços, foi uma das que mais me
chamou a atenção também e confesso que uma das mais difíceis de se compreender.
O que me fez gostar da Terna de Braços foi a apresentação de um veterano que
está para formar e nos mostrou seu projeto para o TCC (Trabalho de Conclusão do
Curso) em que ele, conseguia mexer cada parte do seu braço, mão, antebraço e
escápula, de forma que parecesse ter uma vida em uma simples parte do corpo,
isso fez com que eu ficasse ainda mais encantado com as Ternas, outro fator,
foi a forma como o braço pode ter uma movimentação passiva, de forma com que,
novamente, o seu corpo faça o movimento do seu braço, o que foi sensacional
para a experimentação dessa terna.
Abordo agora a
Terna que mais me chamou atenção quando tive a oportunidade de descobrir. No
caso, a Terna de Enraizamento, foi para mim de enorme satisfação, poder
trabalhar de forma que eu pudesse compreender que a minha forma de andar era
errada. Isso gerou uma enorme diferença na minha vida, pois passei a ter uma grande
percepção de como eu andava e como eu podia mudar esses meios para que
melhorasse a forma como eu pisava. Também foi um momento, em que pudemos fazer
várias improvisações com a Terna de Enraizamento, de forma que podíamos gerar
uma leitura, através de uma simples improvisação em que nos mantínhamos
equilibrados, expandindo e encolhendo, tudo isso dentro do equilíbrio e gerando
uma leitura poética, o que foi lindo e incrível, tanto de se ver, quanto de
fazer.
Por fim, devo
dizer que todo o semestre nos deu uma grande noção das Ternas e abriu um
caminho para que possamos estudar ainda mais para melhorar a postura e a forma
como daremos vida a um personagem, falarei agora de algo que me chamou a
atenção em um artigo que li:
A
prática das Ternas, como indica as ações de ensino, pesquisa e extensão em
investigação, podem ser realizadas em diferentes contextos, com diferentes
objetivos e tipos de trabalho. Faz parte da dinâmica desta prática a adaptação
a estas especificidades contextuais, considerando as características de cada
situação.
(MEIRA, Renata, TERNAS: procedimentos pedagógicos corporais para as artes numa perspectiva crítica, 2018, p.6)
(MEIRA, Renata, TERNAS: procedimentos pedagógicos corporais para as artes numa perspectiva crítica, 2018, p.6)
Não
necessariamente precisamos usar as Ternas para um trabalho de corpo do ator e somente dentro da universidade,
claro que se torna importante, mas além disso, podemos usar as Ternas como
ferramenta para construção de um corpo mais saudável, devemos levar as Ternas para fora da Universidade para mostrar que as Ternas
são bem mais do que um estudo para atuação, mas sim, um estudo para a vida.
OBS.: Não pude falar sobre a Terna de Articulações e Vísceras pois não estive presente na aula. Pude consultar alguns alunos que disseram que foi um exercício de muita massagem, em que todos fizeram massagens nos órgãos e tentassem ouvi-los internamente, adoraria ter participado, mas tive algumas complicações no dia.
REFERÊNCIAS
MEIRA, Renata Bittencourt. Conceituar a experiência: expressividade de corpos sensíveis. Anais ABRACE 11, no. 1 (2010).
MEIRA, Renata Bittencourt. Ternas: Procedimentos Pedagógicos Corporais para as Artes numa Perspectiva Crítica. Disponível em: <https://sites.google.com/view/ternas-pedagogia-corporal/biblioteca?authuser=0>. Acesso em: 04 jul. 2019.
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