As Ternas são uma pedagogia para ensinar a ensinar sobre o corpo. Um corpo sensível, um corpo expressivo, um corpo visível — ou, na linguagem das Ternas, o eu corpus, o corpus expressos e o corpus vistos. Elas são uma metodologia que une o estudo anatômico e práticas corporais diversas, como pilates, eutonia, entre outras.
Devo confessar que no início, quando a Renata nos introduziu às Ternas, achei assaz estranho. "O que são as Ternas? Como funciona e o que significam essas tais Ternas?" Foi esse tipo de perguntas que me veio à mente. Inclusive, devo dizer que quando soube da disciplina (CorpoVoz I), fiquei tomada de receio, pois nunca tive uma relação de muito amor com meu corpo. E quando a Renata começou a falar dessas estranhas Ternas, meu receio se multiplicou.
Assim que principiamos as primeiras Ternas, contudo, pouco a pouco, vi o medo começar a se esvair.
Quando exploramos o peso passivo, por meio do impulso de movimentos de tronco e pernas, e o peso sustentado, movendo-os e sentindo sua massa, tive certa dificuldade, respectivamente, em me soltar e em me concentrar. Todavia, conforme fomos trabalhando essas atividades sob as orientações da professora, eu fui me entendendo com relação a meus braços.
Ah! E quando fomos para o estudo de anatomia básica, consegui me conectar melhor com as escápulas, que eu nem considerava parte dos braços. Logo após esse breve e esclarecedor estudo anatômico, a Renata nos guiou para que, utilizando de ombros, cotovelos, pulsos e dedos, conduzíssemos nosso corpo através do espaço. Eu fiquei me perguntando qual o objetivo de tal exercício — incrível como esse tipo de dúvida se fazia recorrente durante as aulas... Mas logo isso foi se desfazendo conforme avançávamos nas práticas.
Depois de tudo, utilizamo-nos daquilo que acumulamos para criarmos imagens de:
1. proteção de si mesmo;
2. uma pessoa desengonçada; e
3. conflito.
E, sem saber, já trabalhávamos as Ternas de rosto e também exercitávamos a variação de tônus (especialmente na parte do peso passivo e sustentado).
Seguimos para as Ternas de alinhamento, a qual eu só fui entender e conseguir aplicar há pouco tempo, e que, como a Renata me recomendou, venho trabalhando nisso. Quando começamos a explorar estas Ternas, exercitamos a relação de equilíbrio entre os olhos e as cristas ilíacas. Achei imensamente interessante quando a professora pediu que caminhássemos pelo espaço com nossos olhos "escolhendo" a direção, apontando a que lado iríamos, e a cintura virava depois. Em seguida, invertemos: as cristas ilíacas guiavam e os olhos iam por último. Foi então que a Renata decidiu complicar nossa vida, confundindo-nos (risos): enquanto os olhos miravam para um lado X, a bacia ia para outro, Y.
Depois disso, ela nos ensinou a aproximar o ombro da crista ilíaca oposta, pela frente e por trás, o que foi a base de movimentos de alinhamento para uma dança (na qual eu tive certa dificuldade de coordenação motora).
Com tudo isso trabalhado, fizemos uma dinâmica em roda: devíamos atravessá-la inventando modos diferentes de caminhar, remexendo, requebrando, sempre com atenção para o alinhamento. Ao fim deste nosso primeiro contato prático com essas Ternas, vimos a anatomia das bacias feminina e masculina para entendermos como se dá o movimento de caminhar.
Em seguida, vimos as Ternas de apoios e projeções. Começamos em busca da sensibilização de nosso corpo (eu corpus), colocando duas bolinhas nos glúteos, depois no sacro, no tórax e por último entre as escápulas; doía quando eu me apoiava nas esferas, mas assim que as tiramos e deixamos o corpo relaxar, a sensação de tato com o chão foi-me maravilhosa, pois geralmente quando me deito sinto um desconforto na coluna que se prolonga desde a lordose (a "curva" na região cervical e lombar; não confundir com o desvio, a hiperlordose) até a base do meu crânio. E com este exercício me senti extremamente confortável e "indorida".
Depois, apoiamo-nos nas mãos e pés e caminhamos como lagartos, projetando os braços e as pernas, buscando sempre manter a postura (alô, Ternas de alinhamento?).
Neste dia, também trabalhamos ritmo para criarmos uma coreografia de mandala e depois uma em forma de V, explorando apoios de braço, anca, ombros, joelhos, projeções e utilizando-nos da lateralidade do corpo.
Quando, todavia, tivemos de balançar para frente e para trás até projetar o pé para trás e para baixo, buscando uma cambalhota, eu não consegui, pois tenho muito medo de cambalhotas e qualquer coisa que envolva ficar de ponta-cabeça sem meus pés no chão. Mil pensamentos me veem à mente: "E se eu bater as costas e me machucar? E se eu fizer errado e deslocar algum osso? E se eu não conseguir rolar certo e, sustentando o peso em cima do pescoço, quebrá-lo?". São ideias ilógicas, irracionais, forjadas na mente por medos, falácias implantadas, superproteção, ansiedade até — para minha sorte, a Renata entendeu e respeitou meu limite.
As Ternas de enraizamento, com estudo anatômico e as orientações da professora, ajudaram-me a poder me equilibrar. Nós aprendemos a "ajeitar" nossos maléolos para formarmos o arco dos pés. Também foi falado sobre a maneira correta de andar: primeiro o calcanhar, depois o metatarso para impulsionar o corpo.
Para enraizar, aprendemos a abrir os dedos, expandir a superfície de contato. E caramba!, eu consegui me equilibrar ao, depois de enraizar, transferir o peso do corpo para a perna de apoio e buscar a abertura do corpo. Foi, para mim, sensacional!
Nas Ternas de sonoridade, aprendemos a explorar os sons produzidos através de toques, palmas, estalos e também, é claro, da voz. Por meio do corpo, produzimos o som de chuva. Vimos, ao ler uma frase, como a diferença de tom, timbre e também a intenção quando falamos é importante para trasmitir a ideia que pensamos.
Sentados, fizemos um jogo: cada um dizia uma frase e o outro completava de forma que, juntos, criávamos um texto inteiro. Nós brincamos, assim, com o andamento de nossa fala, a gravidade, a altura...
O mais incrível é que desde essa aula, eu tenho notado, tenho prestado mais atenção e me apercebido mais a mim mesma tanto quando eu estudo um texto (como o que estou ensaiando) quanto quando converso com outrem.
Após tudo isso, também fomos introduzidos às Ternas de rosto, em que estudamos uma das mais expressivas formas de comunicação, as máscaras e caretas; são, estas, adaptações à interação social.
Assim, exploramos a musculatura facial em volta da boca, dos olhos, do nariz, das bochechas e do cenho, puxando o músculo na direção oposta à qual ele se projeta, a fim, creio, de sensibilizar essas regiões. Dali, partimos à construção de máscaras orgânicas, expressões de disfarce. Primeiro, em dupla, ficamos de frente um para o outro e imitamos o semblante de nosso parceiro. Disto, partimos todos para a frente do espelho, onde experimentamos várias máscaras: comprida, larga, estreita — e na alternância, encontramos distintas feições, de ódio, surpresa, horror, nojo, ojeriza, desafeição, alegria, retardo (risos).
As últimas Ternas às quais fomos apresentados foram as de vísceras e articulações. Principiamos sensibilizando nossos órgãos internos, tocando-os sobre a pele do abdome e das costas; buscávamos sentir o movimento e quem sabe ouvir sons de nossas entranhas. Após sensibilizarmo-nos, fizemos uma coreografia corporal alicerçada na força depositada no abdômen.
Na segunda parte desta aula, tivemos contato com os materiais que produzimos no início do semestre, e a partir deles criamos uma "coreografia" improvisada, unindo todas as Ternas que aprendemos.
Aliás, se existe uma palavra que pode descrever essa pedagogia, a meu ver, é essa: união. A unidade do grupo, a unidade do nosso soma, a unidade dos três corpus.
"Mas, Diana", você, caro leitor, talvez me pergunte, "você só falou de sete Ternas; não falta uma?". A resposta é sim, mas de certo modo também é não. Explicarei.
As Ternas de pele não foram as últimas que vimos, mas foram as que mais me afetaram. Estimular a tez, nosso maior órgão, a partir de toques, carícias, arranhões, e tomando esses estímulos como motor, produzir e transmitir, aliando-se às Ternas de rosto, a visão, para o espectador, de angústia, serenidade, liberdade. Mas quando eu digo que faltava falar dela concomitantemente eu alegar que já falara, é porque viemo-la trabalhando desde o início, desde as Ternas de braço. Isso porque a pele está revestindo todo nosso corpo. Quando pressionamos as mãos, buscando os ossos para abri-los; quando tocamos a pelve e a cintura escapular, quando apertamos a cintura pélvica procurando sentir a crista ilíaca; quando usamos bastões para sentirmos nossos ísquios; quando nos apoiamos em um, dois, três, quatro ou mais apoios, estimulando-os em contato com o chão, as paredes, o ar; quando nos deitamos sobre as bolinhas; quando massageamos nossos pés e abrimos espaço entre os ossos; quando batemos palma, batucamos no peito para produzir sonoridade; quando sensibibilizamos o rosto; quando tentamos sentir nossas vísceras.
Só que, durante toda minha vida, meu corpo permaneceu reprimido, sempre tive vergonha de me mover emocionalmente, de me abrir, me expressar. Nesta aula, contudo, eu consegui desabrochar de uma forma que eu mesma não sei descrever. Os estímulos transcendiam o toque, avançavam para o olhar, as máscaras; para a respiração, o andar, a expressão das mãos, aflitas, ávidas. Eu não estava apenas atuando aquilo; eu estava aquilo.
Por isso, quis falar destas Ternas por fim.
Quero colocar aqui um poema, de autoria própria, chamado "desabrochar", pois toda a vivência que tive com as Ternas fez-me lembrar-me dele.
Aqui, deixo o meu relato. Uma breve experiência, que espero retomar, que tive com as Ternas este semestre. Graças a esse método, descobri que meu corpo é incrível e que sou capaz de coisas que nem eu imaginava!
Sou obrigada a terminar este presente texto com a mesma recomendação do anterior: Terne-se!
Devo confessar que no início, quando a Renata nos introduziu às Ternas, achei assaz estranho. "O que são as Ternas? Como funciona e o que significam essas tais Ternas?" Foi esse tipo de perguntas que me veio à mente. Inclusive, devo dizer que quando soube da disciplina (CorpoVoz I), fiquei tomada de receio, pois nunca tive uma relação de muito amor com meu corpo. E quando a Renata começou a falar dessas estranhas Ternas, meu receio se multiplicou.
Assim que principiamos as primeiras Ternas, contudo, pouco a pouco, vi o medo começar a se esvair.
Quando exploramos o peso passivo, por meio do impulso de movimentos de tronco e pernas, e o peso sustentado, movendo-os e sentindo sua massa, tive certa dificuldade, respectivamente, em me soltar e em me concentrar. Todavia, conforme fomos trabalhando essas atividades sob as orientações da professora, eu fui me entendendo com relação a meus braços.
Ah! E quando fomos para o estudo de anatomia básica, consegui me conectar melhor com as escápulas, que eu nem considerava parte dos braços. Logo após esse breve e esclarecedor estudo anatômico, a Renata nos guiou para que, utilizando de ombros, cotovelos, pulsos e dedos, conduzíssemos nosso corpo através do espaço. Eu fiquei me perguntando qual o objetivo de tal exercício — incrível como esse tipo de dúvida se fazia recorrente durante as aulas... Mas logo isso foi se desfazendo conforme avançávamos nas práticas.
Depois de tudo, utilizamo-nos daquilo que acumulamos para criarmos imagens de:
1. proteção de si mesmo;
2. uma pessoa desengonçada; e
3. conflito.
E, sem saber, já trabalhávamos as Ternas de rosto e também exercitávamos a variação de tônus (especialmente na parte do peso passivo e sustentado).
Seguimos para as Ternas de alinhamento, a qual eu só fui entender e conseguir aplicar há pouco tempo, e que, como a Renata me recomendou, venho trabalhando nisso. Quando começamos a explorar estas Ternas, exercitamos a relação de equilíbrio entre os olhos e as cristas ilíacas. Achei imensamente interessante quando a professora pediu que caminhássemos pelo espaço com nossos olhos "escolhendo" a direção, apontando a que lado iríamos, e a cintura virava depois. Em seguida, invertemos: as cristas ilíacas guiavam e os olhos iam por último. Foi então que a Renata decidiu complicar nossa vida, confundindo-nos (risos): enquanto os olhos miravam para um lado X, a bacia ia para outro, Y.
Depois disso, ela nos ensinou a aproximar o ombro da crista ilíaca oposta, pela frente e por trás, o que foi a base de movimentos de alinhamento para uma dança (na qual eu tive certa dificuldade de coordenação motora).
Com tudo isso trabalhado, fizemos uma dinâmica em roda: devíamos atravessá-la inventando modos diferentes de caminhar, remexendo, requebrando, sempre com atenção para o alinhamento. Ao fim deste nosso primeiro contato prático com essas Ternas, vimos a anatomia das bacias feminina e masculina para entendermos como se dá o movimento de caminhar.
Em seguida, vimos as Ternas de apoios e projeções. Começamos em busca da sensibilização de nosso corpo (eu corpus), colocando duas bolinhas nos glúteos, depois no sacro, no tórax e por último entre as escápulas; doía quando eu me apoiava nas esferas, mas assim que as tiramos e deixamos o corpo relaxar, a sensação de tato com o chão foi-me maravilhosa, pois geralmente quando me deito sinto um desconforto na coluna que se prolonga desde a lordose (a "curva" na região cervical e lombar; não confundir com o desvio, a hiperlordose) até a base do meu crânio. E com este exercício me senti extremamente confortável e "indorida".
Depois, apoiamo-nos nas mãos e pés e caminhamos como lagartos, projetando os braços e as pernas, buscando sempre manter a postura (alô, Ternas de alinhamento?).
Neste dia, também trabalhamos ritmo para criarmos uma coreografia de mandala e depois uma em forma de V, explorando apoios de braço, anca, ombros, joelhos, projeções e utilizando-nos da lateralidade do corpo.
Quando, todavia, tivemos de balançar para frente e para trás até projetar o pé para trás e para baixo, buscando uma cambalhota, eu não consegui, pois tenho muito medo de cambalhotas e qualquer coisa que envolva ficar de ponta-cabeça sem meus pés no chão. Mil pensamentos me veem à mente: "E se eu bater as costas e me machucar? E se eu fizer errado e deslocar algum osso? E se eu não conseguir rolar certo e, sustentando o peso em cima do pescoço, quebrá-lo?". São ideias ilógicas, irracionais, forjadas na mente por medos, falácias implantadas, superproteção, ansiedade até — para minha sorte, a Renata entendeu e respeitou meu limite.
As Ternas de enraizamento, com estudo anatômico e as orientações da professora, ajudaram-me a poder me equilibrar. Nós aprendemos a "ajeitar" nossos maléolos para formarmos o arco dos pés. Também foi falado sobre a maneira correta de andar: primeiro o calcanhar, depois o metatarso para impulsionar o corpo.
Para enraizar, aprendemos a abrir os dedos, expandir a superfície de contato. E caramba!, eu consegui me equilibrar ao, depois de enraizar, transferir o peso do corpo para a perna de apoio e buscar a abertura do corpo. Foi, para mim, sensacional!
Nas Ternas de sonoridade, aprendemos a explorar os sons produzidos através de toques, palmas, estalos e também, é claro, da voz. Por meio do corpo, produzimos o som de chuva. Vimos, ao ler uma frase, como a diferença de tom, timbre e também a intenção quando falamos é importante para trasmitir a ideia que pensamos.
Sentados, fizemos um jogo: cada um dizia uma frase e o outro completava de forma que, juntos, criávamos um texto inteiro. Nós brincamos, assim, com o andamento de nossa fala, a gravidade, a altura...
O mais incrível é que desde essa aula, eu tenho notado, tenho prestado mais atenção e me apercebido mais a mim mesma tanto quando eu estudo um texto (como o que estou ensaiando) quanto quando converso com outrem.
Após tudo isso, também fomos introduzidos às Ternas de rosto, em que estudamos uma das mais expressivas formas de comunicação, as máscaras e caretas; são, estas, adaptações à interação social.
Assim, exploramos a musculatura facial em volta da boca, dos olhos, do nariz, das bochechas e do cenho, puxando o músculo na direção oposta à qual ele se projeta, a fim, creio, de sensibilizar essas regiões. Dali, partimos à construção de máscaras orgânicas, expressões de disfarce. Primeiro, em dupla, ficamos de frente um para o outro e imitamos o semblante de nosso parceiro. Disto, partimos todos para a frente do espelho, onde experimentamos várias máscaras: comprida, larga, estreita — e na alternância, encontramos distintas feições, de ódio, surpresa, horror, nojo, ojeriza, desafeição, alegria, retardo (risos).
As últimas Ternas às quais fomos apresentados foram as de vísceras e articulações. Principiamos sensibilizando nossos órgãos internos, tocando-os sobre a pele do abdome e das costas; buscávamos sentir o movimento e quem sabe ouvir sons de nossas entranhas. Após sensibilizarmo-nos, fizemos uma coreografia corporal alicerçada na força depositada no abdômen.
Na segunda parte desta aula, tivemos contato com os materiais que produzimos no início do semestre, e a partir deles criamos uma "coreografia" improvisada, unindo todas as Ternas que aprendemos.
Aliás, se existe uma palavra que pode descrever essa pedagogia, a meu ver, é essa: união. A unidade do grupo, a unidade do nosso soma, a unidade dos três corpus.
"Mas, Diana", você, caro leitor, talvez me pergunte, "você só falou de sete Ternas; não falta uma?". A resposta é sim, mas de certo modo também é não. Explicarei.
As Ternas de pele não foram as últimas que vimos, mas foram as que mais me afetaram. Estimular a tez, nosso maior órgão, a partir de toques, carícias, arranhões, e tomando esses estímulos como motor, produzir e transmitir, aliando-se às Ternas de rosto, a visão, para o espectador, de angústia, serenidade, liberdade. Mas quando eu digo que faltava falar dela concomitantemente eu alegar que já falara, é porque viemo-la trabalhando desde o início, desde as Ternas de braço. Isso porque a pele está revestindo todo nosso corpo. Quando pressionamos as mãos, buscando os ossos para abri-los; quando tocamos a pelve e a cintura escapular, quando apertamos a cintura pélvica procurando sentir a crista ilíaca; quando usamos bastões para sentirmos nossos ísquios; quando nos apoiamos em um, dois, três, quatro ou mais apoios, estimulando-os em contato com o chão, as paredes, o ar; quando nos deitamos sobre as bolinhas; quando massageamos nossos pés e abrimos espaço entre os ossos; quando batemos palma, batucamos no peito para produzir sonoridade; quando sensibibilizamos o rosto; quando tentamos sentir nossas vísceras.
Só que, durante toda minha vida, meu corpo permaneceu reprimido, sempre tive vergonha de me mover emocionalmente, de me abrir, me expressar. Nesta aula, contudo, eu consegui desabrochar de uma forma que eu mesma não sei descrever. Os estímulos transcendiam o toque, avançavam para o olhar, as máscaras; para a respiração, o andar, a expressão das mãos, aflitas, ávidas. Eu não estava apenas atuando aquilo; eu estava aquilo.
Por isso, quis falar destas Ternas por fim.
Quero colocar aqui um poema, de autoria própria, chamado "desabrochar", pois toda a vivência que tive com as Ternas fez-me lembrar-me dele.
Ó flor, por que te escondes no interior dessas pétalas purpúreas?
Ó flor, por que te inibes sob as asas rotas das tuas sandices?
Ó flor, por que te encobres nas drupas agras de tuas esquizofrenias?
Ó flor, por que te dissimulas neste calor do Sol intenso que te banha?
Ó flor, o que esperas, adormecida no jardim das tuas ébrias necedades, como se noite fosse, escura e fria?
Ó flor, há muito já brotou a leste a Estrela do Alvor. Desperta-te! Levanta-te! Assume-te!
Aqui, deixo o meu relato. Uma breve experiência, que espero retomar, que tive com as Ternas este semestre. Graças a esse método, descobri que meu corpo é incrível e que sou capaz de coisas que nem eu imaginava!
Sou obrigada a terminar este presente texto com a mesma recomendação do anterior: Terne-se!
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