Na
disciplina de CORPOVOZ I, a docente Renata Meira nos convidou a participar de sua
pesquisa de pós-doutorado, intitulada TERNAS, uma pedagogia corporal.
Ternas são atividades sensório expressivas; uma
pedagogia para preparar o corpo no desempenho da expressão. Trabalho corporal
no campo da Estética, Artes, Ensino e Pesquisa. Foca a ação, a sensibilização
do corpo, o conhecimento anatômico do movimento e a experiência do movimento
pessoal e criativo. Numa abordagem somática cuida do bem estar e da saúde do
corpo, integrado nas suas dimensões emocionais e cognitivas. Envolve imaginação
e memória, no contexto sociocultural e político do corpo.
(MEIRA, Renata, Blog Ternas CORPOVOZ I, página
inicial).
Inicialmente, me senti muito confusa a respeito do termo Ternas, e de
qual seria sua participação e finalidade no nosso aprendizado sobre o corpo,
porém, com o passar do tempo, pude, gradativamente, internalizar o processo, de
forma com que eu ficasse mais familiarizada com o método de aprendizado, e ensino.
As Ternas se dividem em oito: Terna de Braços, Terna de Alinhamento, Terna
de Apoios e Projeções, Terna de Enraizamento, Terna de Rosto, Terna de Sonoridades,
Terna de Pele e Terna de Vísceras e Articulações. As aulas foram divididas para
que pudéssemos explorar, de forma mais profunda, cada uma das ternas, e assim,
criar cada vez mais repertório e consciência corporal. Essas foram as principais
funções do aprendizado dessa pedagogia para mim: repertório e consciência de
mim mesma, principalmente a segunda alternativa, pois despertou em mim algo que
hoje, ainda mais, considero fundamental: o cuidado.
A consciência corporal ampliada pelas ternas me possibilitou perceber
mais meu próprio corpo, e assim, meu estado de espírito. Por exemplo, na Terna
de Pele trabalhamos muito com a massagem e o estímulo da pele. Começarei por
esta terna pois acredito que ela esteja muito presente em todas as outras. Apesar
destas aulas serem umas das últimas que tivemos, foram elas que levaram meu
conceito de ternas a outro nível de percepção.
Neste caso, iniciamos o encontro massageando as nossas, mãos, braços,
pernas, e outras partes do corpo. Ao passo que eu ia dando atenção para as
minhas articulações, especialmente nos pés e mãos, notava que minha percepção
nas áreas trabalhadas ficava mais aguçada, e meus movimentos envolvendo essas
partes eram mais conscientes, pois previamente foi realizada uma forma eficiente
de acordar o corpo. Quando fizemos os exercícios desta aula, trabalhamos com
quatro qualidades – carinho, agonia, pressão e liberdade, com as
quais trabalhamos os níveis e formas de expressão.
A Terna de Pele também influenciou na aula da Terna de Rosto, quando
estávamos massageando os músculos do rosto e eu estava gripada, porém com a
massagem, o congestionamento desapareceu. Inclusive, a aula da Terna de Rosto
foi uma das mais importantes para mim, pois foi a aula em que descobri a minha
capacidade com máscaras, que nunca havia imaginado ter. As máscaras propostas
naquele encontro foram: simétrica, assimétrica, curta e
larga, estreita e cumprida, e aberta.
Esta
imagem é um registro feito pelo Túlio, e representa a minha máscara assimétrica.
Consigo relacionar esta terna com a Terna de Sonoridades, pois quando penso
em expressão, logo associo com sons, e estudar sons em uma aula corporal me
parecia estranho. Porém, quando fomos para a prática, foi óbvio que os sons
faziam parte do nosso corpo, e foi então, que a aula de CORPOVOZ da professora
Renata, se conectou com a aula da professora Dirce, pois trabalhamos partituras
corporais em ambas os encontros. Isto se deu aos movimentos e sons de percussão
que fizemos, além dos sons de voz.
Na Terna de Vísceras, fizemos um trabalho, que, através do toque, exploramos
todos os nossos órgãos, onde eles estão localizados no nosso corpo, os movimentos
e barulhos que fazem. O abdômen foi a principal região trabalhada, através de
exercícios e das instruções dadas pela Sâmara, uma fisioterapeuta, que
participava das aulas conosco. Ela nos instruía a sempre manter a postura
correta do corpo durante os exercícios, de forma que nosso corpo, cada vez
mais, ganhava mais consciência.
Falando em postura correta, trago a Terna de Alinhamento, responsável
por grande construção e desconstrução do meu corpo. Com ela me alertei dos meus
momentos de desleixo comigo mesma, tanto sentada quanto em pé. Porém, quando nos
exercícios estávamos sentados, nossas professoras falavam muito dos ísquios, um
par de ossos localizado na parte interior da pélvis, no quadril. Com os ísquios
bem centralizados, e a coluna reta, alinhada, conseguíamos uma postura melhor,
e a Terna de Alinhamento foi fundamental para conquistar isso.
Uma terna que se relaciona muito com a de Alinhamento, é a Terna de
Enraizamento. Esta terna simboliza a forma que nosso corpo se conecta com o
solo. O termo enraizar significa “fixar pela raiz”, que ao meu ver se traduz em
se ligar ao chão, ter consciência e segurança do espaço e da sua presença no
mesmo. O exercício realizado para treinar o enraizamento foi um deslocamento
pelo espaço, levando em conta diversos fatos, como equilíbrio, distribuição de peso,
flexão corporal e etc. Deveríamos posicionar bem os pés no chão, de forma que
os dedos ficassem bem abertos para que houvesse espaço entre os ossos, então
flexionávamos bem os joelhos, e dávamos um passo, devagar e consciente, de forma
com que o corpo continuasse bem alinhado e “enraizado” ao chão, firme. Assim, conseguíamos
também ter controle deste equilíbrio, e então fizemos o “avião”, posição na
qual ficamos firme em apenas um pé, enquanto levantamos a outra perna e abríamos
os dois braços, inclinando o corpo para a frente.
Quase chegando ao fim, falarei de um terna que se relaciona muito com o
Enraizamento, e que na ordem de aprendizagem, o antecede. A Terna de Apoios e
Projeções foi a terceira terna a nos ser apresentada, e a parte de Apoios tem
muita relação com o Enraizamento, pois se baseia no contato da pessoa com o
chão. Existem diversas formas de apoio, dois apoios (duas mãos, dois pés, dois
ísquios, uma mão e um pé, dois joelhos, etc), três apoios, quatro apoios, e todas
são diferentes formas de se dispor no espaço. Juntamente com elas, exploramos as
projeções feitas a partir disso, impulso para frente, para trás, giros,
rolamentos, e etc.
Finalmente, a primeira terna trabalhada e estudada: a Terna de Braços.
Essa terna esteve muito presente ao longo do nosso semestre, o que foi algo que
me surpreendeu muito. Por sempre ter dançado durante a minha vida, mesmo que eu
usasse muito os braços, as pernas sempre tiveram uma maior tendência ao
movimento na minha vida. Sendo assim, ter uma terna para trabalhar
exclusivamente os braços, sua anatomia, ossos e articulações, foi surpreendente
e muito revelador, pois me trouxe muito repertório e muitas intenções interpretativas
(as quais anteriormente, eu não usaria os braços para realizar). Nosso trabalho
com a Terna de Braços começa na clavícula e na escápula e vai até as falanges, possibilitando
que nós explorássemos cada parte dos nossos braços.
Concluindo, afirmo que o método pedagógico Ternas me possibilitou muitas
descobertas no meu próprio corpo, fazendo com que eu cuide mais dele e dê mais
atenção para o mesmo, pois meu corpo é meu lar, e tenho que zelar por ele. Além
dos cuidados, as Ternas ampliaram muito o meu repertório e minha consciência corporal,
como dito anteriormente. Uma prática que melhorou muito meu Eu Corpus (aumentou
minha própria sensibilização corporal), meu Corpus Expressos (ressignificou
intensamente minha expressão e organização do meu corpo) e meu Corpus Vistos
(melhorou muito minha composição corporal, me possibilitando ser mais
criativa).
REFERÊNCIAS
MEIRA, Renata Bittencourt. Ternas:
Procedimentos Pedagógicos Corporais para as Artes numa Perspectiva Crítica.
Disponível em: <https://sites.google.com/view/ternas-pedagogia-corporal/biblioteca?authuser=0>.
Acesso em: 08 jul. 2019.
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