O início de um futuro melhor com as Ternas.


No início do semestre não entendia muito o porquê de usar as ternas, pois não seria mais fácil a Renata nos mostrar o que devíamos fazer com o corpo em certas ocasiões? Esse era o meu pensamento, por que como não consigo ficar muito parada, achei que seria um tédio falar de cada parte do corpo, um por um. Eu queria que tudo fosse mais rápido, prático, pois como o “mexer” com o corpo já estava na minha vida há anos por conta das danças, das lutas, não achava necessário entrar nas questões teóricas como estudamos as ternas. Mas quando começamos a ver anatomia do braço me deparei com uma Nathália simplesmente fascinada por cada detalhe descoberto do meu corpo, como era ligado cada osso, cada articulação e nervos.

          
  Na Terna de braço me dei conta de tudo que eles eram capazes de fazer com um simples movimento minhas mãos, braços e ombros, sem nenhum esforço dos meus músculos, ou seja, deixando meus braços relaxados e com impulsos com o tronco como: girar, correr, frear, balançar, fazia meus braços se mexerem fazendo formas e sons diferentes quando batia contra meu corpo, chamamos de peso passivo. Ainda na terna de braços também aprendemos o peso sustentado, que fazia prestarmos atenção em cada movimento e fazê-lo com o mínimo de tônus, para podermos sentir o peso contra a gravidade.
        
    Na Terna de apoios e projeções descobri várias formas de se colocar em apoio utilizando de uma á quatro bases e isso é muito bom para pôr criatividade nos exercícios e tônus, pois em alguns casos usa de força no abdômen para manter o equilíbrio, e as projeções está sendo boa pra vermos as ternas de braços e alinhamento juntas, e perceber que estamos usando-as para fazer com que saia perfeito, tendo a consciência corporal e os limites do corpo. A partir disso começamos a utilizar os níveis (baixo, médio, alto) nas atividades para intensificar mais o nosso equilíbrio durante os movimentos.
       
  Após as duas primeiras ternas fizemos uma atividade avaliativa, aonde tínhamos que fazer uma coreografia de no mínimo um minuto aonde os passos fossem tirados das ternas de braço e das de apoios e projeções e usar a criatividade e depois propor um movimento para a plateia para eles fazerem durante um minuto. Enquanto eu não me apresentava eu tinha que dar notas para os meus colegas, e isso me incomodou um pouco pois não gosto de criticar as pessoas por não saber como elas vão reagir perante a minha crítica. Mesmo eu não tendo muito tempo para fazer uma coreografia boa, eu me sai muito bem e senti que tive muita presenta enquanto fazia e muito tônus.

   Na Terna de alinhamento usei todas as minhas experiências da dança, e mesmo assim tive que fazer correções na minha forma de andar, de ficar imóvel (não ficando na minha zona de conforto), e uma das minhas maiores dificuldades foi sempre focar em um ponto e fazer outro movimento oposto, deixando minha coordenação motora doida, mas com dedicação, esforço e POC, estou conseguindo fazer exercícios mais corretos. Uma coisa que também nunca tinha sentido era os ísquios, mas com exercícios os sinto cada vez mais, e assim vejo que estou alinhada.
           
Na Terna de enraizamento pude ver o quão de equilíbrio eu tenho e o que eu tenho que melhorar, por que não adianta nada ter um equilíbrio bom e deixar o alinhamento de lado, pois sem ele você certamente vai se desequilibrar. Aprendi a posicionar meu pé no chão para que eu tenha mais contato com ele, utilizando-o como apoio para equilibrar. Um dos exercícios proposto pela professora foi o de se retrair e expandir, o que mais me identifiquei foi o de expandir por ter um equilíbrio maior utilizando os braços. 
            
  Na Terna de sonoridades trabalhamos outras ternas utilizando sons diferentes como: do grave ao agudo, de bocejos, da nossa respiração, de ventos, e sons do corpo imitando uma chuva que começasse lento, aumentasse e finalizasse sem qualquer tipo de comunicação com os demais alunos, assim acontecendo uma conexão entre a turma. Nesse dia teve um exercício muito interessante onde tínhamos que em duplas ir ao meio da sala sem combinar fazer uma pose expressiva e se elas conversassem entre si a dupla sairia para o mesmo lado se não era uma pra cada lado saindo como se o vento os levassem, foi muito bom ver os resultados e quando as poses se conectavam era uma imagem muito bonita.
     
  A Terna de pele não é uma das minhas preferidas por termos que nos arranhar, beliscar, acariciar, e logo em seguida fazer estes movimentos com essas expressões utilizando sentimentos, o porquê de eu não gostar foi que me deu agonia de ficar me apertando e me sinto presa e isso e horrível, mas ao mesmo tempo foi uma boa experiência sentir tudo isso, pois mostrou onde devo trabalhar mais para que no futuro quando eu tiver que fazer algum papel que tenhas essas características eu possa me controlar mais.
          
  Ao contrario da terna de pele, eu gostei muito da Terna de rosto, pois são os sentimentos que faz nosso rosto reagir aos mesmo fazendo caras e bocas e isso e muito legal, nas atividades fizemos relaxamento e sentimos toda a musculatura do rosto para entendermos melhor antes de irmos para a prática com o rosto para que pudéssemos ter mais liberdade de criar feições que foram bem divertidas como: cumprido e achatado, de alegria, de tristeza, de raiva.  
          
    Na Terna de vísceras e articulações focamos mais no abdômen onde fizemos sensibilizações de nossas vísceras e coreografia (que por sinal foi uma das minhas partes preferidas da aula) com a fisioterapeuta Sâmara onde a força maior estava no abdômen. As articulações estavam presentes em todas as ternas, mas desta vez tentamos nos concentrar somente nelas movimentando varias de uma vez só, sem perder a consciência das utilizadas.

  Conclusão     
De modo geral, esse semestre foi de grande aprendizagem tanto no próprio corpo, quanto na parte teórica. Mas também um momento de reconstruir tudo o que eu já tinha em mente sobre o meu corpo por conta das danças por ter uma pré informação sobre como devia ser o meu corpo e como devia prestar atenção em como a minha postura estava saindo da minha zona de conforto, com as aulas também aprendi a me expressar mais do que eu já expressava (Corpus Expressos) e como o meu corpo deve se expressar perante a plateia e ver se o que os mesmo vêm é o que eu quero passar com o meu corpo para que fique visível o sentimento exposto (Corpus Visto). Mas ao mesmo tempo aprender como fazer tudo isso utilizando o autoconhecimento e a auto-observação de mim mesma (Eu Corpus).
         
  Com tudo isso as Ternas me ajudou muito a desconstruir não só coisas no meu corpo, mas também no meu pensamento por ter que começar do zero para que as lições entrem com mais facilidade e saber que meu corpo também pede ajuda e tem limites que devem ser respeitados para que algo de pior não aconteça.
          
  Espero continuar usufruindo das ternas pelo resto da minha vida, notando cada mudança e descobrindo coisas novas a cada dia sobe o meu corpo e não vejo a hora de no próximo semestre voltar com as aulas de corpo/voz levando todos os ensinamentos das professoras para que meus movimentos saiam corretos em qualquer apresentação que acontecer e no futuro quando for dar aulas poder utilizar os materiais disponíveis no blog  e voltar a ver esse texto que estou escrevendo, vou  relembrar e vou sentir muita saudade de tudo que estou vivendo e perceber que foi de suma importância para vida e vou poder ensinar mais pessoas a se perceberem e terem uma vida melhor com a utilização das ternas como estou tendo e vou ter.
             








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