O corpo sem dono




Terna Apoios e Projeções
Corpus Expressus
Corpo-voz1
08 abril 2019  
Quem diria que timidez, fobia social e introversão fossem prejudiciais ao ponto de estragar a relação de alguém com seu próprio corpo?! Fechada em casa, esportes nunca foram meu forte. Passava os dias sentada a escrever, ler e desenhar; e apreciava isso. Ainda aprecio, na verdade. Nunca me pareceu um problema, mas "Endireita essa coluna!, "Desse jeito vai ficar corcunda"... Eu, sinceramente, tentava colocar-me em boa postura, mas logo voltava a ficar torta, tal qual os pinheiros vergados por Sínis. Eu jamais teria esperado que esses desajustes pudessem me prejudicar tanto.
  Mas, como diria Castro Alves, "o chacal sobre a areia acha um corpo que roer".
  Esse corpo foi o meu.
  Assim como a áspide sempre captura sua vítima, as consequências da minha má postura e sedentarismo chegaram: tensões, dores e fraqueza muscular. Tudo isso sempre me incomodou, desde então. Incapaz de colocar-me totalmente ereta, a tensão sobre minhas costas e ombros causava-me dor em qualquer posição que eu ficava. A falta de vigor nos músculos dos pés, pernas, lombar e abdome, tórax e braços fazia com que eu ficasse com o corpo mole, sem tônus ou com pouquíssimo, e sem a mínima capacidade de equilíbrio em dadas posições.
  Tudo isso — ou seria a ausência disso? — me prejudicou: qual o sol cáustico que evapora o rio caudaloso, essa inabilidade me impedia, quando eu atuava no grupo de minha antiga cidade, de alcançar minha capacidade máxima de atriz. Além disso, o desconforto ainda me fustigava cotidianamente, mas aí...



  ... Ternas!


  Graças a este método pedagógico, eu pude entender mais sobre mim mesma. Claro, há ainda muito a se aprender e tenho até agora limitações, somáticas e psicológicas, que me empecem; todavia, esse halo de autoconhecimento que as Ternas me trouxeram mudaram até mesmo a relação com meus braços! (Quem diria? [Risos]). Minha postura tem melhorado gradativamente, apesar dos maus hábitos, e já não sinto tantas dores (Ternas Neustã, eu diria). A forma como oriento o alinhamento, cabeça opondo-se aos ísquios, cintura escapular rente à pélvica; tudo isso tenho aprendido a policiar.
  Ah!, e que orgulho: se antes eu era inapta para equilibrar-me em um pé só, desde as Ternas de enraizamento, evoluí bastante nestre quadro!
  São Paulo disse, na primeira epístola aos coríntios, que nosso corpo é templo do Espírito Santo. Sim, esta é uma visão religiosa. Mas de um ponto de vista laico, nosso corpo é o nosso templo! Moramos nele.
  Contudo, antes de eu conhecer as Ternas, o meu corpo parecia ser um corpo sem dono. Hoje, por sabê-lo melhor, tornei-me tanto mais de mim que eu-me.


  Portanto, se aceita um conselho de amiga... Terne-se!



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