Terna Apoio e Projeções
Prática Corpus Expressos
08 de abril 2019
Desde quando me reconheço como gente sempre fui muito elogiada pela minha postura. Os anos foram se passando e eu fui cada vez mais me colocando em uma zona de conforto, como se não precisasse focar no meu alinhamento, já que todos diziam que era impecável. Quando criança, sempre brincava de equilibrar livros na cabeça e por sempre estar desenvolvendo dessa forma, nunca imaginei que algum dia teria que ver isso com outros olhos.Esses outros olhos são as Ternas. Quando elas me foram apresentadas, senti que precisava olhar para toda a minha bagagem de corpo e pensar no que eu ainda não tinha testado nele, ao fazer essa auto avalição percebi que eu poderia ir muito mais além do que me era confortável.
Tudo começou com a Terna braço. Ao conhecer a anatomia das escapulas até a ponta dos dedos, senti que não tinha consciência nenhuma de todos aqueles ossos, que eram meus. Fiquei extremamente intrigada com o que eu poderia fazer, para deixar com que meus braços comandassem meus movimentos dali em diante. Eles foram ficando pesados, eram capazes de se mover através de impulsos, eles foram se desconectando do resto do meu corpo.
Ao conhecer a Terna alinhamento, voltei as memórias de quando era criança e fazia exercícios com os livros na cabeça, porém, tentei a partir do que era proposto desconstruir minha visão do que era alinhado. Muitas perguntas vieram em minha cabeça e eu pensei "ok, o alinhamento eu já tenho, mas como será que eu poderia ser menos linear em minhas sequências?" A pergunta veio com a mesma resposta que tive quando criança, mesmo que sem saber. Da mesma forma que eu construí esse alinhamento na vida com exercícios, irei desconstruir ele com exercícios. Tudo ficou mais claro a partir desse momento, fui experimentando o "torto" o "não linear" e meu corpo foi se tornando um templo para novas experiências e para a perca daquela sempre presente, zona de conforto.
Em seguida, com a Terna apoios e projeções, consegui juntar todos os meus conhecimentos até o momento e levar tudo o que eu tinha desconstruído para construir no chão. No chão explorei todas as trocas de pesos dos braços e percebi que ter passado pela terna braço foi fundamental para essa fase, já que agora com mas consciência corporal, conseguia projetar os movimentos sabendo bem quais eram os limites do meu corpo.
Por fim, após ter começado do zero no chão, me deparei com a Terna enraizamento, que me disse da forma mais mágica possível "agora que já está disposta em se reformular, pode levantar, andar e principalmente se equilibrar." O contado dos pés com o chão nunca foi tão consciente e objetivo. A cada passo que eu dava em pesquisa das propostas, sentia que poderia flutuar pelo espaço como uma bolha de sabão. Em outras palavras, posso dizer que o processo estudado com as ternas até agora, me ensinou a andar, mas não o andar no qual fazemos na rua, cheio de manias e coisas que não percebemos, mas sim o andar que é sentido com cada detalhe, como um bebê ao tentar se levantar pela primeira vez, cair, tentar novamente, cair, se apoiar em algo, se levantar e por fim, aprender a andar.
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