Medo, ternas e descobrimento

 
Terna Rosto
Pratica Eu Corpus
Sensibilização
20 de maio 2019


   Quando vi que faria uma disciplina chamada CorpoVoz I, não tinha ideia do conteúdo e conceitos que seriam ensinados, muito menos que iria aprender através das Ternas. Não sabia o que esperar e tinha medo, uma vez que a partir de determinado ponto da minha vida não dava atenção para meu corpo, durante anos quase não praticava atividades esportivas, não fazia academia, muito menos me alongava.
   Durante o decorrer da disciplina, pude notar várias manias, barreiras e tensões que possuía, tantas físicas quanto psicológicas. O alongamento que não tinha, o medo de fazer errado, a mania de fazer para entregar algo que era pedido e não com o propósito de conhecer e aprender com o que era proposto, a vergonha, entre outras coisas. E com as Ternas, com sua abordagem somática, pude ir conhecendo melhor meu corpo e seus limites, de terna em terna, e depois ir interligando tudo e percebendo meu corpo como uma coisa só composta de várias outras.
    Com as ternas de braços, comecei a entender melhor essa região do meu corpo, todas as partes que ela é composta e como uma interfere na outra. Fazendo uso de vários tipos de movimento, fui capaz de criar expressividades que antes nem imaginava ou ousava fazer. Ainda estou trabalhando as tensões que possuo nos ombros, sempre me pego com eles tensionados para cima, uma mania que espero melhorar utilizando as ternas de braços.
    Já nas ternas de alinhamento, fui pego de surpresa, sempre achei que tinha um bom alinhamento, quadril, tronco, púbis, etc., mas depois de passar por esses lugares através do olhar das ternas percebi que tinha coisas que podiam sem melhoradas. Sempre tive a impressão de que meu pescoço não é alinhado com a minha coluna, sinto uma curvatura que não sei se é natural mas creio que foi sendo construída ao decorrer da minha vida de acordo com as posições que costumava deixar a cabeça ao me deitar, e isso sempre me incomodou no entanto, pude notar uma diferença, mesmo que mínima após algumas aulas, em que sentia a  cabeça mais leve e "encaixada" com o pescoço e coluna.
   Nas ternas de apoios e projeções eu me encontrei mais tranquilo, mesmo com um corpo não atlético sempre tive uma facilidade em determinadas posições que dependiam de apoios. Por meio destas ternas e fazendo um uso do meu tônus, criei expressões mais próximas da minha identidade como artista em formação, movimentos com mais força, apoios no chão.
   Assim, construindo um repertório de movimentos e sensações, fui me desfazendo desses medos e me concentrando mais em mim e na minha expressividade, e creio que foi possível transmitir um pouco do que venho aprendendo na sequência de movimentos apresentada no dia 22/04. Espero continuar aprendendo com as as próximas ternas, fazendo link entre elas e me desenvolvendo e me descobrindo como artista expressivo cada vez mais.

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