Imersão no corpo através de ternas





Terna Pratica Posicoes de Controle
Eutonia
06 maio 2019


Desde pequeno sempre fui fascinado pelas artes, admiração esta que me lavava aos processos criativos e aos desenvolvimentos de algumas linguagens dentre as artes visuais. Me lembro bem de começar com bonecos humanoides moldados com o barro do quintal de minha  casa, assim como também me lembro da bronca de minha mãe vociferando para não sujar minhas roupas. Não se passou muito tempo e lá estava ela gritando novamente pela minha descoberta com giz de cera; figuras de animais, bonecos de desenho animado , representações de meus familiares, todos rabiscados pelas paredes de minha casa. O desejo de representar figuras corpóreas sempre esteve presente em meus processos. 
Mas o que é o corpo? Com uma breve pesquisa na internet podemos obter a seguinte resposta. Corpo: substancia material orgânica ou inorgânica que ocupa determinado espaço Ou então podemos encontrar um significado mais biológico onde pode ser definido como um organismo natural, um conjunto de órgãos que permite as funções necessárias a vida. Pronto! Já esta criado o senso comum da definição de corpo, limitando-me por anos a representar apenas esse amontoado de músculos, ossos e órgãos sem experimentar nem ter consciência de toda sua potencia e extensão.
Com toda minha vivencia permeando o universo das artes eis que agora me deparo com o teatro. Por tempos eu criava a obra e a posicionava sobre o holofote para a apreciação do publico. No entanto agora o holofote esta sobre mim, eu sou a obra e estou apavorado com o publico a minha frente. 
Experimentando esse processo de iniciação no teatro descubro minha maior ferramenta dentro do palco, meu corpo e minha voz. Agora eu sou protagonista meu corpo deve ser desconstruído, reconstruído e novamente desconstruído para estar preparado para as situações em frente a plateia. Tarefa essa nada fácil. 
Com o auxilio do estudo em ternas consegui me preparar, sensibilizar e conhecer meu corpo para  uma maior expressividade e experiencia do movimento pessoal e criativo. Com os exercícios crio sempre uma memoria tornando de fácil acesso a execução de movimentos livres e de alto teor expressivo em cena.
 Passando pela terna de braço obtive conhecimento anatômico desde minha escapula ate minhas falanges. Em duplas fizemos experimentos de contato observando a rotação e deslocamento da escapula e também sensibilização dos metacarpos. Com o exercício de caminhar pelo espaço girando, balançando e mudando de direção veio a noção do peso do meu braço e também a possibilidade de movimentos onde com auxilio do tórax geravam grande expressividade.
Com a terna de alinhamento experimentei o foco do olhar e como ele se relaciona com os movimentos de cabeça e de crista ilíaca exigindo-me uma grande coordenação motora.  Conheci anatomicamente a região da bacia e fiz exercícios de torção contraponto tórax e cristas ilíacas me ajudando a ter uma maior tridimensionalidade de meu tórax. Seguindo descobri os tão falados ísquios durante a sensibilização feita co a ajuda de um bastão. Com uma melhor consciência e memoria corporal consigo atualmente sentar sobre os ísquios, mantendo o alinhamento de cintura pélvica, escapular e cabeça. 
Na experiencia da terna de apoio e projeções veio o conhecimento da eutonia e seu trabalho de consciência dos apoios do corpo com auxilio de bolinhas. Estas foram posicionadas nos glúteos, ao lado do sacro, na base do tórax e entre as escapulas pressionando meus receptores nervosos e me dando uma sensação de relaxamento. Foi proposto seguidamente o movimento de escalada com quatro pontos de apoio e todo o corpo o mais próximo do chão possível. Esse exercício me exigiu bastante força abdominal me despertando o desejo em fortalecer mais essa parte de meu corpo. 
Recentemente foi trabalhada a terna de enraizamento. Com a ajuda de bolinhas sensibilizei com diferentes modalidade de força. Primeiro passando a bolinha com esforço minimo com o foco de sensibilizar a pele, depois passei pelo esforço médio onde o objetivo era sensibilizar a musculatura  e por ultimo o esforço máximo onde tentava perceber a bolinha tocando meus ossos. Apos a sensibilização e com o entendimento da anatomia do pé ficou fácil a compreensão do termo propulsão e amortecimento dentro das ternas onde tomei conhecimento de todo o arco do pé e como ele pode ser equiparado a uma mola nos impulsionando e dando sustentabilidade para amortecer saltos. 

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