Das Dores às Descobertas


Terna Rosto
Corpus Expressus

Durante toda minha caminhada para alcançar a tão almejada faculdade de Teatro, eu nunca tinha me preocupado tanto com o meu corpo/postura, como me preocupei durante esses seis meses. Ao meu ver, sempre tive um alinhamento "bom", na qual eu me sentia confortável, praticava esportes regularmente e frequentava academia, então para mim, essas atividades me ajudavam no meu alinhamento corporal. Contudo com o trabalho das Ternas, a minha percepção para com meu próprio corpo acabou se tornando mais aguçada e sensível para certos movimentos e posições.

Lembro-me bem da nossa primeira aula, aprendemos sobre o braço, toda sua movimentação e articulação. Me recordo também, que para mim aquela foi uma aula de descobertas sobre meu próprio corpo, pois antes na minha cabeça eu tinha dois braços, que se movimentavam e articulavam conforme as minhas necessidades do dia a dia. Porém, com o decorrer do nosso encontro, fui descobrindo novas formas de movimento que eu nunca tinha trabalhado e usado anteriormente. E isso para mim foi algo muito interessante, afinal eu sempre usei meus braços, mas nunca para realizar movimentos iguais aqueles. Após a aula, pude ter mais noção sobre todas as outras partes do meu braço, cada osso, articulação, junção. 

Logo após trabalhamos com a crista ilíaca juntamente com o olhar. Então, a nossa crista junto com o trabalho de torção do quadril, indicava uma direção e o nosso olhar indicava outra, e com isso nós brincamos com as direções, velocidades e intenções. Demos um enfoque maior também nas torções do corpo, aproximando a crista ilíaca da nossa escápula oposta. 

Esse trabalho que nós tivemos foi muito importante para darmos continuidade e chegarmos até as ternas de alinhamento juntamente com apoios e projeções, ou seja, o ator tendo a noção do seu movimento e dos seus sentimentos de expressão. Me lembro que nessa aula trabalhamos deitados em duas bolinhas posicionadas em pontos estratégicos do meu corpo, e quando retirava as bolinhas eu sentia como se meu corpo inteiro estivesse esparramado no chão, ou seja, pontos que não tocavam o chão quando me deitava, estavam tocando naquele momento. E isso foi algo muito impressionante pra mim, sentir que uma parte do meu corpo que antes não tocava o chão, agora toca, foi a partir dai que eu notei que a minha percepção com meu próprio corpo estava se desenvolvendo. 

Uma terna que me chamou muito a atenção foi a de enraizamento, foi uma aula muito cansativa mas que valeu a pena. Trabalhamos com o enraizamento buscando sempre o equilíbrio, confesso que nunca tive um equilíbrio impressionante, mas nessa aula aprendemos que posicionando de forma correta seu pé no chão, abrindo bem os dedos, flexionando os joelhos e deixando seu corpo alinhado da maneira correta, conseguimos alcançar um equilíbrio de uma forma muito fácil e segura. 

Por fim, trabalhamos com as ternas de rosto numa aula que foi bem divertida. E mais uma vez, confesso que nunca tinha percebido que meu rosto é capaz de montar diferentes expressões e formas. Foi uma descoberta que me instigou a querer fazer mais e mais caretas em frente ao espelho, queria saber todas as expressões que meu rosto conseguia fazer, no final acabamos fazendo algumas vozes que se encaixavam com a expressão que era montada. 

Enfim, diante de tudo isso que aprendemos e vivenciamos durante esse semestre, chego a conclusão que as ternas para mim foi uma pesquisa com o meu "eu" interior, ou seja, é um trabalho muito pessoal que é diferente para cada um. Hoje posso dizer, que vejo meu corpo com outros olhos e com uma outra percepção, me sinto mais preparado e motivado para realizar movimentos e torções. E depois de um semestre inteiro de perguntas do tipo: "Ta doendo?", "Essa dor incomoda?", "É uma dor que te atrapalha?", hoje eu posso responder que doeu, mas simplesmente passou e hoje já não doi mais.

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