A interiorização das Ternas




Terna Pele CorpoVoz
Eu Corpus
11 junho 2019  

Acredito que todos temos bagagens pessoais, maneiras sociais de comportar-se, vestir-se,  cuidar do próprio corpo, etc. Por muito tempo tive dificuldades em diversos aspectos físicos, como,  insuficiência respiratória, ausência de alongamento, excesso de peso, dificuldades na prática de esportes, entre outros. Ao longo do meu crescimento isso foi mudando, e eu achei que ja estava tudo bem, pois alguns desses aspectos já não estavam mais presentes.
Após chegar em Uberlândia, para ingressar no curso, estava ansioso pois não conhecia nada na cidade, e não sabia onde poderia ter acesso a práticas corporais e afins. Logo nas primeiras semanas, após a apresentação das matérias, fiquei animadíssimo com o desenvolvimento que a matéria CORPO-VOZ, aparentava ter. Logo nas primeiras aulas práticas com a docente Renata Meira já tive noções básicas do meu corpo, por exemplo, onde estava fraco e necesssitava de fortalecimento, onde o alongamento não estava bom, a leveza nos movimentos demonstrando controle corporal, o alinhamento com o quadril-torax-cabeça, entre outras coisas pequenas. Nesse processo de criação em que me encontro, vejo a necessidade que hoje eu tenho de trabalhar com as ternas, pois por meio delas consigo organizar as partes do meu corpo como fossem separadas, para que em um momento de minha escolha eu junte todos os movimentos trabalhados para uma composição específica.
O conteúdo trabalhado até este momento, para mim tornou-se essencial, pois involuntariamente, num processo de criação livre/improvisada, eu me encontro sempre passando por movimentos que estão dentro das ternas. Começando pelas partes superiores, quando se foi trabalhado Terna Braços e Alinhamento, uma consciência incrível foi exposta para que tentemos alcança-la aos poucos; trabalhando no nosso eixo, alinhamento pélvico X alinhamento da caixa torácica, temos um conhecimento prévio da relação física entre, púbis e cóccix, lombar, região da cintura escapular, etc, o que é importantíssimo para que possamos cuidar do corpo de maneira correta e técnica, e não fiquemos no senso comum de manter como está pois é predudicial. Nesse mesmo campo de estudo, foi proporcionado em aula, a questão anatômica, nome de ossos, conjuntos, músculos, ligações e articulações, o que julgo muito importante pois muitas coisas eu não sabia devido a minha bagagem pessoal. Durante esse processo de inserção as ternas, o processo de descobrimento do braço foi-me curisoso pois aprendi aspectos que nem pensava que o braço poderia ter, como a desconexão dele com os ombros, ou a questão do braço passivo, dos movimentos corporais guiados pelos braços, etc.
Nas outras ternas, Apoios e projeções, e Enraizamento, novas questões foram trabalhadas, porém, do meu ponto de vista, mais voltadas a consciência corporal, pois na relação com o abdômen, muita força e resistência é trabalhada por meio dessas duas ternas, o que faz com que um fortalecimento gere um desempenho melhor e uma maior força física para as partes do corpo. Em apoios e projeções, novos medos foram descobertos, mas profissionalmente os exercícios foram executados, brincando ao final deles, com metade de um membro no chão, usando só a cabeça como apoio, usufruindo e descobrindo novas formas existentes com o corpo no espaço, e em como se estabelece a relação da troca de pesos com nossos limites corporais. Nas projeções, o meu corpo se negou a ser levado pelos membros através da projeção, mas com mais práticas ele colocou-se em uma posição de uma descoberta inovadora devido a esses movimentos, e claro que em determinados movimentos, a física manda mais do que o próprio corpo.
No enraizamento eu revisitei um lugar de conforto, pois durante alguns anos, fiz capoeira, que é uma luta que trabalha expressões corporais muito variadas em seus movimentos, sendo pequenos, grandes, com o pé todo, com apenas o metatarso sendo o apoio central, como no caso da ginga, etc. Senti familiaridade em usar o metatarso, mas confesso que achei novo a ideia de fazermos a curva no pé, usando a relação Metatarso X Calcanhar, pois achei que era algo natural do corpo, e que não precisaria mudar. Essa é uma das ternas que mais me identifiquei, pelo fato dela também trabalhar com os equilíbrios corporais e usar alguns outros traços de todas as outras ternas.
O meu processo vem sendo bem curioso, pois passei a aceitar minhas dificuldades e limites, então sinto apenas a necessidade de forçar para repetição acontecer, para melhorar meu alongamento, memória corporal e expandir de pouco em pouco meus limites. Acredito que por mais que alguns movimentos já fossem conhecidos por mim, os outros que não eram conhecidos, chegaram com um impacto alto, o que corrobora para esses novos ganharem um espaço dentro de mim, e para o aperfeiçoamento dos já trabalhados antes. Essa construção se mostrou muito íntima, e acredito que cada um tem sua maneira de construir esse processo todo, então minha conclusão baseia-se no meu próprio EU, do meu interior para o meu exterior, e de como um pode ensinar ao outro.



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